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Dólar abaixo dos R$ 5: entenda as razões da queda - Central de Negócios
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Na semana passada o Dólar atingiu os menores índices de valor em pelo menos 12 meses, o que acendeu o alerta para o mercado internacional. Chegando a ser operado a R$ 4,90 na quarta-feira (23), a moeda americana apresentou essa queda que pode ser relacionada a alguns fatores que o #BlogDaCN apresenta a você, confira:

 

1- DIFERENCIAL DE JUROS

 

Desde março, quando o Banco Central (BC) deu início a um ciclo de alta de juros, a Selic subiu de 2,0% para 4,25%. A autoridade monetária já indicou, inclusive, que pretende levar o juro básico ao nível neutro, que seria em torno de 6,5%.

 

O juro em alta no Brasil aumenta o diferencial em relação às taxas de outros países. O aumento no diferencial de juros tende a atrair recursos estrangeiros de curto prazo, ainda mais em um contexto de apetite global por risco.

 

Assim, existe uma pressão de valorização sobre o real, até porque o ajuste monetário no Brasil tem sido bem mais rápido do que em outras economias emergentes.

 

2- CENÁRIO EXTERNO

 

Outro fator observado com atenção pelos agentes do mercado é o comportamento do Banco Central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed).

 

Com a economia americana pujante, os dirigentes do Fed começam a indicar que darão início às discussões sobre a redução dos estímulos monetários implementados desde o início da pandemia.

 

Há divisão entre os dirigentes do comitê decisório Banco Central americano (o Fomc, na sigla em inglês) sobre esse assunto, mas o presidente da instituição, Jerome Powell, tem destacado que vê a alta da inflação no curto prazo como temporária e, assim, tem tentado afastar pressões para uma ação voltada ao aperto monetário no curto prazo. Esse fator também tem deixado o dólar mais enfraquecido de forma global.

 

3- CONTA CORRENTE

 

No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado na quinta-feira, o BC revelou que projeta um superávit em conta corrente de US$ 3 bilhões para este ano, o que evidencia a sobra de dólares no país, que pode exercer pressão de baixa na cotação da divisa americana.

 

O chefe de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, nota que a dinâmica de conta corrente permanece favorável no curto prazo “dada a sólida demanda de exportação e a melhora dos termos de troca diante da fraca demanda doméstica e de uma taxa de câmbio competitiva”.

 

Na nota do setor externo divulgada pelo BC nesta sexta-feira, cabe destacar que o fluxo de investimentos em ações e em títulos públicos no Brasil somou R$ 5,951 bilhões em maio e essa entrada de capitais estrangeiros, que têm ligação com o aumento do diferencial de juros, tem sido um dos fatores a impulsionar a queda do dólar contra o real.

 

CENÁRIO FUTURO

 

No Brasil, o Banco Central divulga toda semana o Boletim Focus, que é uma pesquisa com as previsões feitas por alguns dos principais agentes econômicos do mercado brasileiro.

 

No primeiro boletim deste ano, em 8 de janeiro, o Focus previa que o dólar terminará 2021 cotado a R$ 5. Dois meses depois, quando o real chegou a sua maior cotação neste ano (R$ 5,87), o Focus já mostrava uma previsão de que o dólar encerrará o ano cotado a R$ 5,30, uma alta de 6% em relação à previsão anterior.

 

Com a queda recente da cotação da moeda, as previsões voltaram a apontar para baixo. O mais recente Boletim Focus estima que o dólar vai terminar 2021 cotado a R$ 5,10. Na semana anterior, os mesmos analistas previam R$ 5,18.

 

Um relatório da corretora XP do dia 17 de junho, sobre riscos que persistem na economia brasileira, sinaliza que a queda atual do dólar poderia ser apenas de curto prazo. A consultoria projeta que a moeda termine o ano acima da cotação atual.

 

Vale lembrar que ao longo da pandemia, o dólar chegou a bater patamares altos por duas vezes: acima dos R$ 5,80 no auge da primeira onda de coronavírus, em maio de 2020, e mais recentemente em março.

 

FONTE: https://www.contabeis.com.br/noticias/47645/entenda-os-motivos-da-queda-do-dolar-para-menos-de-r-5/


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